Barcelona x Real Madrid, a história por trás do futebol.

A grande maioria das pessoas pensam que Real Madrid e Barcelona se resumem a um clássico do futebol mundial, porém, essa grande rivalidade vai além dos campos e entra em um assunto que está atraindo os olhos do mundo: A tentativa de independência da Catalunha.

Mas o que esses clubes tem em relação com isso? É o que vamos entender melhor agora.

O Real Madrid é o clube da capital, e hoje em dia pode ser considerado a maior potência futebolística do mundo, mas nem sempre foi assim. O clube Merengue ganhou muita visibilidade na ditadura do general Franco.

A intenção do General era mostrar para o mundo como o seu governo fazia da Espanha, um lugar mais próspero; com o Real Madrid conquistando todos os títulos possíveis, essa impressão era passada para todo o planeta. Além de se auto promover para outros governos, Franco usava a potência do clube merengue para passar a sensação aos habitantes de Madrid de que eles poderiam ser felizes apenas sendo representados mundialmente por um clube, já que a cidade não caminhava bem, com muita pobreza em meio a ditadura.

O problema é que a relação entre governo e Real Madrid era bastante obscura. O documentário “O Madrid Real. A lenda negra da gloria branca” mostra alguns fatos que aconteceram durante a guerra civil espanhola. De acordo com o documentário, o magnífico Santiago Bernabéu foi construído com dinheiro público, sob ordens de Franco. O filme de aproximadamente uma hora afirma também que o Real Madrid tinha um relacionamento no mínimo estranho com a comissão de arbitragem espanhola. Um ex dirigente do clube diz que eles “tinham o costume de mandar presentes para as esposas dos árbitros”.

Di Stefano, um dos maiores ídolos da história do Real Madrid faz parte de toda essa polêmica envolvendo os dois clubes. A história conta que o River Plate da Argentina e o Millonarios da Colômbia detinham os direitos econômicos do jogador. O Real negociou com os colombianos, o Barça negociou com o River, e com esse impasse, a federação definiu que o jogador deveria jogar pelos dois clubes em anos alternados durante quatro anos. O Barcelona ficou revoltado com o decreto da federação e desistiu de ter o jogador. O documentário diz que Franco foi crucial no momento em que o Real Madrid interferiu na contratação do jogador e que ele teria sido o responsável pela atitude tomada pela confederação.

O fato mais marcante aconteceu dentro de campo. Após o Barcelona vencer o Real Madrid em casa por 3×0, o clube catalão precisou viajar até a capital para duelar contra os merengues pelo jogo da volta. O Barça foi recebido muito mal, a polícia dizia que o clube sairia derrotado e a população local chamava os jogadores de “separatistas” o tempo inteiro. A verdade é que o Real Madrid venceu por 11×1 e saiu classificado, mas existem fontes que afirmam que os jogadores catalães foram ameaços dentro do vestiário pelas tropas opressoras, mexendo totalmente com o psicológico da equipe; além de que dentro de campo, os jogadores do Barcelona eram alvos de diversos objetos atirados pela torcida, e a polícia, nada fazia.

Do outro lado da história, existe o Barcelona, o clube que representa a Catalunha. Para a torcida, o time que faz frente ao Real Madrid, é motivo de muito orgulho. Seu povo faz de sua casa, o Camp Nou, um lugar para protestarem contra o que eles bem entenderam, mas principalmente para clamar por independência.

A rivalidade com o Real Madrid não era tão aflorada como hoje em dia, o início dela foi antes do período Franquista, mas foi durante a ditadura que o clássico começou a tomar corpo e ser o que vemos hoje em dia. Não é pra menos, Franco era o ditador, vivia em Madrid, investia no Real e era obrigado a ver o time dos separatistas, o orgulho catalão, e símbolo da independência, brigar título por título contra o time da capital.

No domingo, dia 01/10/2017, a rodada 7ª rodada do campeonato espanhol entrou para a história. Enquanto a população catalã lutava contra a polícia espanhola pelo direito de votar pela independência, o Barcelona jogava no Camp Nou diante do Las Palmas com portões fechados. A intenção do Barça em não permitir a entrada do público foi de atrair os olhos do mundo para a violência policial na cidade, mas principalmente de provocar a confederação local que não acatou o pedido do clube de adiamento da partida.

Camp Nou vazio para a partida contra o Las Palmas. ALBERT GEA REUTERS

Um pouco mais tarde, em Madrid, o Real enfrentaria o Espanyol. Em um cenário totalmente oposto, o Santiago Bernabéu estava lotado, mas a torcida não perderia a oportunidade de mostrar pro mundo sua opinião que obviamente é contrária aos catalães. A torcida merengue levou milhares e milhares de bandeiras espanholas ao estádio. Gesto esse que mais parecia um grito coletivo de todos no estádio clamando por união, mostrando toda sua insatisfação com o desejo separatista por parte dos rivais.

Torcida do Real leva bandeira da Espanha em resposta aos Catalães.

A questão gera muita discussão acerca do esporte. Piqué, zagueiro do Barcelona e da seleção da Espanha que nasceu na Catalunha defende com unhas e dentes a independência do seu povo, agora ele é vaiado pela torcida espanhola em jogos da seleção. Rafael Nadal, tenista espanhol, já deixou claro que é contra a separação.

Se o movimento separatista conseguir alcançar seu objetivo, teremos muitas mudanças no mundo esportivo. O Barcelona seria obrigado a deixar o campeonato espanhol, e os clássicos contra o Real Madrid ficariam muito escassos além disso, a equipe catalã precisaria passar por várias fases anteriores à fase de grupos na Champions League já que a Catalunha seria um novo país europeu.

Barcelona e Real Madrid não é só futebol, a gente ama dizer isso sempre que possível. O clássico é história, é ditadura, é General Franco, é luta revolucionária e acima de tudo, é o passado que jamais poderá ser apagado, pois foi ele que moldou tudo o que a gente vive e ama hoje em dia.

Carlos Eduardo T. Gabriel.

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